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Evian em Avignon
Desci do TGV em Avignon e era calor, muito calor. Ainda estava no período em que os franceses entram em férias, de 15 de julho a 15 de setembro, e muita coisa não funciona em Paris, restaurantes familiares baixam a porta metálica e fecham. Então cheguei com fome. Avignon é uma cidade bonita, de pedra. Comi uma pizza (sic), era o que havia, e fui visitar o palácio dos papas.
Sim, houve um papado dissidente em Avignon, e o “palácio” é na verdade uma fortaleza, pois em estado de batalha, naquela época (durou de 1309 a 1376 e teve cinco papas) era uma guerra entre Roma e a cidade. É uma construção gigantesca, não sei dizer o tamanho, mas ocupa diversos quarteirões, todos de pedra, e quente, muito quente. O clima do palácio refletia sua arquitetura, que poderia ser chamada de “early air fryer”. Cada sala, o salão do trono, os ambientes da corte papal, era de uma solidez e de um abafamento únicos.
A coisa que ocupava minha cabeça era: como eles sobreviveram, usando capas de veludo, estolas de arminho e roupas complicadas nestes lugares. E depois de uns dez salões iguais e uns 3 andares de escadarias também começou a aparecer na minha mente: onde vou beber algum líquido? Eu tinha (quem me conhece sabe, sempre carrego minha garrafinha de água) meus 500 ml de Evian comprados na máquna da estação. Mas, eles iam sumindo rapidamente. E eu estava com o Dênis, com quem dividia goles da água, com muita parcimônia.
Então, a placa mágica, uma seta apontando escada acima: bar. Como personagem de quadrinhos eu vi aquele oásis, um suco de laranja, uma coca cola gelada, um litro de água, qualquer coisa. Mais um andar, outra placa igual apontava acima, e fomos. Depois de muita escadaria, o terraço, ao ar livre, e o bar. Fechado, reabriria na rentrée de 15 de setembro. Sei que sobrevivi pois estou aqui escrevendo. Mas não me perguntem como.
A simpática estalagem também era quente, tinha uma piscina, mas como o Pacífico no Chile, gelada, é mais para olhar, tentei colocar um pé na água que ficou azul imediatamente.
No dia seguinte, a visita começava a Châteauneuf-du-Pape.
“E o vinho?” Perguntarāo. Nem todo escrito sobre vinhos tem vinho e viagens em busca dos lugares vinícolas tem muitos percalços.





Que grata a leitura. Senti o calor junto, daqueles que só um espumante consegue matar. E a garrafinha de 500ml de água, claro.
Saúde!
Juan Mendes
Me fez lembrar de nossa ida a esta bela cidade!!!